Os últimos dias me tem feito resgatar boa parte dos livros que usei na minha monografia, todos do Bauman. Este sociólogo polonês diz que a felicidade hoje é assim, escapa das nossas mãos o tempo todo. Por quê? Porque há TANTO à nossa disposição, são tantas as oportunidades, tantas as ideias, as possibilidades, as pessoas, os amores, que se vc acha que está feliz assim, querido, é porque vc ainda não experimentou aquilo lá. E depois que vc experimenta aquilo lá, tem aquilo acolá que dizem que, bah, é mil vezes melhor.Exemplos? Vc fez uma viagem bárbara no feriado, mas um amigo seu foi pra outro lugar que, sério, é O lugar. Aí tem uma prima sua que ficou em casa mas que assistiu AQUELE filme. E o seu irmão, então, que foi NAQUELA balada. Sério, vc está sempre perdendo alguma coisa. Vc não é Deus, não pode experimentar tudo ao mesmo, olha só que frustração!
E o seu trabalho, que te deixa exausta, te estressa e ainda assim é uma delícia, além de te encher da grana? Mas sempre tem aquela amiga que trabalha só 6 horas, vai pra academia malhar todo dia e ainda tem um gato dum namorado esperando em casa com um vinho tinto e uma pizza - que ele mesmo fez, claro. Ou então tem aquela outra, que não ganha quase nada mas que está super feliz porque faz o que gosta. É, amigo, quando vc acha que encontrou a felicidade.. tchanaaaaaaaaaaam!
É, a gente quer tudo e mais um pouco. E isso é porque, hoje, tem MUITO de tudo.
Por isso a felicidade como estado, como algo atingível, se foi. O estado de felicidade foi substituído pela busca incessante pela felicidade. Damn it, modernidade líquida!
(FOTO: A Cristina sabe do que eu estou falando)
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